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O castelo da cultura


Lisboa vai ter uma nova Biblioteca Central e um novo Arquivo Municipal. A notícia já de si seria um destaque, mas o mais interessante na notícia é o facto de essa futura biblioteca (a estar pronta em 2009) ser o ponto de partida para uma nova urbanização. Esta é pelo menos a ideia da Empresa Pública de Urbanismo de Lisboa (EPUL) para o Vale de Santo António, um plano de urbanização para uma zona de 44 hectares e que tem uma biblioteca como pedra basilar.
A Biblioteca e Arquivo Municipal é um projecto do arquitecto Manuel Aires Mateus, sendo o plano de urbanização coordenado pelo arquitecto Manuel Fernandes de Sá que considera ser a biblioteca "uma cara forte do projecto, um objecto de fundação", à semelhança dos "castelos ou mosteiros de antigamente" e que condicionou o restante plano.
A biblioteca projectada tem um orçamento de cerca de 40 milhões de euros e tem a sua primeira fase já em obra. O edifício terá 60 metros de altura, 40 de largura, com uma arquitectura que privilegia a vista para o Tejo e a luz e apresentará 100 000 documentos em acesso livre com salas de leitura viradas ao Tejo. É uma nova centralidade da cidade, numa urbanização que inclui 390 mil metros quadrados de construção, espaços verdes com um parque de 60 mil metros quadrados e um estádio de futebol com 4 mil lugares. Agora faltam os planos finais.
No plano teórico, surge-nos a questão: que lugar para as bibliotecas na cidade? Grandes projectos em zonas novas e acessíveis, projectos de reabilitação urbana em zonas antigas e sem acessos, pequenas bibliotecas mais próximas dos leitores?
Neste caso trata-se de uma grande biblioteca numa grande urbanização, mas a ideia não deve deixar os promotores imobiliários indiferentes. Num futuro que se espera não muito distante, os grandes projectos de intervenção citadinos, as grandes urbanizações, deverão encarar as bibliotecas como espaços equivalentes a centros de dia, creches, ou jardins. Claro que isso implica um novo conceito de biblioteca de proximidade, um pólo de cultura ao estilo do conceito Inglês das IdeaStores, uma biblioteca de leitores e não de bibliotecários. E não será pura perda de dinheiro. Garanto que os vendedores dos imóveis no vale de Santo António vão colocar a palavra "biblioteca" no meio de qualquer frase que elogie a localização da futura habitação. Uma biblioteca será sempre um argumento forte na justificação do preço dos apartamentos.

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