UEP compete com gato fedorento



A União dos Editores Portugueses ontem (13 de Novembro) andou na berlinda com frases impressionantes ora sobre as alternativas multimédia aos pesados manuais escolares ora sobre os apoios a editores ora sobre as bibliotecas. Naturalmente em dia de realização do 2º Congresso de Editores com o tema "O Livro e o futuro" é preciso fazer comunicações para a imprensa... mas seria melhor não aparecer demais!
Estava então o presidente desta associação a discursar pela falta de apoios aos editores portugueses nas idas ao estrangeiro pois "Quando vamos às feiras internacionais, não é para defendermos os nossos interesses pessoais, mas é para representar a edição portuguesa na sua globalidade " e já certamente deveriam haver risos na sal. É sempre bom ver como os editores vão a feiras à procura de pechinchas rentáveis... ou livros prontos a vender e depois vêm oferecer essas informações aos colegas editores que ficaram cá. Nada como ser solidário neste país onde todos acham que têm direito a um "subsidio".
Mas não ficou por aqui... depois de fazer um conjunto de considerações interessantes (e certas) sobre as dificuldades das bibliotecas municipais, os seus horários, etc, proferiu uma frase impressionante para mostrar que as bibliotecas não têm dinheiro suficiente: "Por exemplo, nunca vendi um livro para uma biblioteca" . Ora... ou o artigo da TSF está com um erro muito grave na transcrição (o redactor até deve ter ficado a olhar) ou o Presidente da associação, Mário Moura... anda no negócio errado!
Pois fique desde já a saber que apesar das dificuldades financeiras, eu e mais "uns quantos" não temos o hábito de roubar livros aos vendedores para os ir colocar nas prateleiras da biblioteca. Seria bom ainda que alguém lhe explicasse que aquelas edições de 1000 exemplares que se fazem em Portugal se não fossem vendidas para bibliotecas ficariam a ocupar lugar nos armazéns. Devíamos comprar mais... ter mais verbas para outras coisas? Sim. Devíamos trabalha aos sábados e à noite. Sim! Os editores deviam trabalhar melhor? Sim. Os editores deviam facilitar na venda directa às bibliotecas? Sim. E SIM a mais coisas também. Mas não se esqueça que a função principal das bibliotecas não é comprar livros a editoras!
Podiam ficar a saber mais coisas sobre esta associação mas na altura em que se realiza este congresso de editores, levado a cabo por grande parte dos seus associados... o seu site está em revisão de conteúdos! No entanto ficam desde já a saber que é uma associação com pergaminhos na defesa dos compradores de livros: alguns ainda estarão recordados do ataque aos manuais gratuitos .