Uma questão que tem vindo a correr nos blogues de alguns técnicos de bibliotecas prende-se com a existência de jovens nas bibliotecas sem qualquer interesse em estarem lá. As bibliotecas têm vindo a ser transformadas, pelos pais, em centros de acolhimento de jovens, um local considerado seguro para os deixar enquanto vão às compras ou para aguardarem, depois das aulas, que os pais os possam levar para casa.
Afinal de contas é um local ideial para o efeito: as bibliotecas possuem recursos pedagogicamente interessantes, são ambientes agradáveis e controlados, têm adultos a vigiarem os espaços e muitas vezes segurança acrescida: diminui assim o medo de terem os filhos a andarem pelas ruas depois das aulas. Os bibliotecários até os gostam de ter por lá, tornam as bibliotecas mais vivas e alegres e permitem trabalhar hábitos de leitura.
O problema está quando esses mesmos jovens não apreciam tudo o que têm ao seu dispor. O espaço de cultura começou por se transformar num espaço de recreio e rapidamente acabou num espaço de confronto. Confusões entre grupos, falta de higiene, destruição de recursos e espaços, desrespeito para com os trabalhadores da biblioteca e para com os outros utilizadores, criaram situações de choque entre os utilizadores da biblioteca.
O mesmo já aconteceu com crianças (e para não se dizer que isso são coisas dos EUA veja-se este artigo do Brunei onde crianças com dois anos são deixadas pelos pais na biblioteca, sendo depois os bibliotecários que os têm de levar à casa de banho, medicar ou alimentar).
Os protestos dos bibliotecários perante as hierarquias caíram em saco roto, sendo que os pais inverteram o problema reclamando sobre a falta de acompanhamento adequado às crianças e da má vontade ou falta de sensibilidade dos bibliotecários para com as necessidades dos jovens. Afinal coisas já ouvidas pelos profissionais das escolas: os pais e a educação dos filhos nunca entram nas equações!
E apesar dos bibliotecários não terem sido contratados para serem amas-secas de jovens grandes demais para obedecerem a figuras de autoridade, acabaram por criar estratégias alternativas para ocupação de tempos livres desses jovens. Mas a situação não melhorou e as bibliotecas começaram a reagir: a presença de jovens sem acompanhamento de adultos deixou de ser bem vinda.

Numa ida à biblioteca pública de Lepe em Espanha encontrei um aviso, que está na foto deste artigo, na sala especial para jovens: "La biblioteca no es una guardería". De realçar que e a sala de jovens estava muito bem elaborada, com muitos documentos nas estantes, decorações e exposição de trabalhos de miúdos expostos pelas paredes. Na altura fiquei a pensar que o aviso não estava ali por piada.
Agora, num artigo do jornal New York Times, a questão do comportamento adolescente nas bibliotecas públicas vem em letra de imprensa, a partir de um caso ocorrido na biblioteca pública de Maplewood, N.J., EUA, que tem tido inúmeros problemas de comportamento com jovens nomeadamente questões de higiene e de obediência a regras.
Afinal de contas é um local ideial para o efeito: as bibliotecas possuem recursos pedagogicamente interessantes, são ambientes agradáveis e controlados, têm adultos a vigiarem os espaços e muitas vezes segurança acrescida: diminui assim o medo de terem os filhos a andarem pelas ruas depois das aulas. Os bibliotecários até os gostam de ter por lá, tornam as bibliotecas mais vivas e alegres e permitem trabalhar hábitos de leitura.
O problema está quando esses mesmos jovens não apreciam tudo o que têm ao seu dispor. O espaço de cultura começou por se transformar num espaço de recreio e rapidamente acabou num espaço de confronto. Confusões entre grupos, falta de higiene, destruição de recursos e espaços, desrespeito para com os trabalhadores da biblioteca e para com os outros utilizadores, criaram situações de choque entre os utilizadores da biblioteca.
O mesmo já aconteceu com crianças (e para não se dizer que isso são coisas dos EUA veja-se este artigo do Brunei onde crianças com dois anos são deixadas pelos pais na biblioteca, sendo depois os bibliotecários que os têm de levar à casa de banho, medicar ou alimentar).
Os protestos dos bibliotecários perante as hierarquias caíram em saco roto, sendo que os pais inverteram o problema reclamando sobre a falta de acompanhamento adequado às crianças e da má vontade ou falta de sensibilidade dos bibliotecários para com as necessidades dos jovens. Afinal coisas já ouvidas pelos profissionais das escolas: os pais e a educação dos filhos nunca entram nas equações!
E apesar dos bibliotecários não terem sido contratados para serem amas-secas de jovens grandes demais para obedecerem a figuras de autoridade, acabaram por criar estratégias alternativas para ocupação de tempos livres desses jovens. Mas a situação não melhorou e as bibliotecas começaram a reagir: a presença de jovens sem acompanhamento de adultos deixou de ser bem vinda.
Numa ida à biblioteca pública de Lepe em Espanha encontrei um aviso, que está na foto deste artigo, na sala especial para jovens: "La biblioteca no es una guardería". De realçar que e a sala de jovens estava muito bem elaborada, com muitos documentos nas estantes, decorações e exposição de trabalhos de miúdos expostos pelas paredes. Na altura fiquei a pensar que o aviso não estava ali por piada.
Agora, num artigo do jornal New York Times, a questão do comportamento adolescente nas bibliotecas públicas vem em letra de imprensa, a partir de um caso ocorrido na biblioteca pública de Maplewood, N.J., EUA, que tem tido inúmeros problemas de comportamento com jovens nomeadamente questões de higiene e de obediência a regras.
Os problemas em Maplewood têm sido uma constante nos últimos anos e ocorrem quando os jovens, depois de terminarem as aulas, ficam na biblioteca à espera que os pais os venham buscar. Chamar a polícia para resolver os problemas tornou-se uma rotina diária mas agora a solução assumiu uma forma radical: fechar as portas à tarde, por altura do final das aulas. Os utilizadores adultos é que acabam por ser igualmente afectados e não tem deixado de protestar: veja os comentários dos residentes. A municipalidade interviu e suspendou a ordem.
Soluções como esta ainda não começaram a ser tão usuais nas bibliotecas dos EUA, mas vão existindo por todo o lado estratégias de defesa das bibliotecas. É a velha questão: "What part of “Shh!” don’t you understand?".
A consciência dos pais é fundamental, e uma das mães no artigo do NYT afirma de que depois de ter visto os problemas no local, se tornou numa “shush mommy” ou uma “mãe que manda calar”.
Para os jovens é um problema acrescido pois não podem utilizar a biblioteca, especialmente depois de terminarem as aulas (2 ou 3 da tarde), e não têm para onde ir: não os querem na escola, não os querem na biblioteca e não os querem em casa. O que fazem?
Pelo menos em Portugal, e especialmente ao fim de semana, os pais sempre os levam para os centros comerciais!
Soluções como esta ainda não começaram a ser tão usuais nas bibliotecas dos EUA, mas vão existindo por todo o lado estratégias de defesa das bibliotecas. É a velha questão: "What part of “Shh!” don’t you understand?".
A consciência dos pais é fundamental, e uma das mães no artigo do NYT afirma de que depois de ter visto os problemas no local, se tornou numa “shush mommy” ou uma “mãe que manda calar”.
Para os jovens é um problema acrescido pois não podem utilizar a biblioteca, especialmente depois de terminarem as aulas (2 ou 3 da tarde), e não têm para onde ir: não os querem na escola, não os querem na biblioteca e não os querem em casa. O que fazem?
Pelo menos em Portugal, e especialmente ao fim de semana, os pais sempre os levam para os centros comerciais!

5 comentários:
Meu Deus ao que se chegou!Efectivamente actualmente alguns pais levam os meninos para os centros comerciais, enquanto outros não os querem nem em casa e eles vão para os centros comerciais e outros locais exercitarem a sua imaginação...o que, muitas vezes, leva a desacatos!
Não tinha lido mas descobri agora que o bibliotecário anarquista já tinha comentado a mesma notícia:
http://bibliotecarioanarquista.blogspot.com/2007/01/riot-na-biblioteca.html
Por principio concordo com a existencia de crianças nas Bibliotecas... o que me parece óbvio! Se nas escolas é reflectida toda uma sociedade o mesmo também acontecerá nas bibliotecas! Os bibliotecários não sendo amas secas são prestadores de serviços! Eles não se adaptaram à internet, aos DVD, etc.? Têm de se adaptar a essa nova realidade e construir estratégias de acolhimento dessas crianças (sim, porque estamos a falar de crianças!!!!). Ex: tos os dias unm dos pais está na biblioteca a cuidar de todos, vão se revezando. O gás pimenta é outra solução...
É verdade. Acontece na Biblioteca onde eu trabalho, e já não é a primeira vez que vou comprar alimento para as crianças ou que as levo a casa quando a biblioteca encerra. O pior é que nós dizemos que não nos responsabilizamos, mas se acontecer alguma coisa é impossível fecharmos os olhos, e preocupamo-nos na mesma.
pelos vistos a situação que descreve é mais vulgar do que se poderia pensar.
o que se lamenta sobretudo é quando os pais e as mães ainda vêm tirar satisfações sobre alguma chamada de atenção, que teve que ser feita ao filho(a)(devido ao seu comportamento menos adequado) acabando por o (a) desresponsabilizar...
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