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Avaliar o desempenho de leitura

Artigo do Correio da Manhã:
Um estudo sobre a avaliação do nível de leitura dos mais novos propõe que sejam dado aos alunos do 2.º ano de escolaridade, textos curtos, com 70 a 120 palavras. No relatório intitulado ‘Para a Avaliação do Desempenho de Leitura’, que hoje será apresentado na I Conferência PNL, em Lisboa, as investigadoras apresentam um conjunto de propostas para a criação de referenciais nacionais de aprendizagem da leitura ao longo dos 1.º e 2.º Ciclos.

O trabalho, desenvolvido por Inês Sim-Sim e Fernanda Viana, da Escola Superior de Educação de Lisboa, traça também vários pontos críticos sobre os actuais métodos de ensino.

Em relação aos alunos do 2.º ano, as autoras defendem que os textos devem ser narrativas, poemas ou instruções sobre o quotidiano. Os alunos devem aprender “o sentido global” do texto e identificar “detalhes relevantes”.

No 4.º ano, os textos devem ser literários, informativos, associados a material escrito e gráfico, como mapas, receitas ou jogos. Devem ter entre 250 a 700 palavras e os alunos deverão apreender o sentido global do texto, identificando o tema central e os aspectos acessórios.

Já no 6.º ano, os textos devem ter de 300 a 800 palavras e os alunos devem conseguir diversificar estratégias de leitura, emitir juízos sobre o texto ou usar detalhes do texto para o interpretar. No final deste ano, devem dominar estratégias de leitura, desenvolver o espírito criativo e ler obras integrais.

Sobre as lacunas da actual forma de ensino, as investigadoras dizem que faltam instrumentos para avaliação do desempenho de leitura dos alunos, nomeadamente no 2.º Ciclo. “Há escassez de medidas fiáveis, válidas e aferidas nacionalmente. A definição de referenciais para a aprendizagem da leitura exige a elaboração de provas nacionais referenciadas a critérios”, indicam.

A ideia é de que no futuro exista um instrumento que permita avaliar as capacidades e competências dos alunos, nomeadamente em três ‘grandes etapas’: 2.º, 4.º e 6.º anos. O trabalho propõe a construção de um repositório de itens, com 348 palavras, para leitura de palavras isoladas, o “primeiro passo para a criação de um banco nacional de itens”.

Segundo os dados do PISA 2003, estudo internacional que avaliou as competências dos alunos de 15 anos em literacia de leitura e matemática, 48% dos estudantes portugueses possuem conhecimentos básicos de leitura e 22% são considerados maus leitores.

O estudo da Escola Superior de Educação de Lisboa analisou 18 provas de leitura e oito provas de emergência de leitura realizadas por cerca de 8500 alunos dos 1.º e 2.º Ciclos. Segundo as investigadoras, verificou-se uma “preponderância de provas de leitura de palavras isoladas e escassez de avaliação de compreensão de textos”.

Fonte: www.correiomanha.pt

Comentários

Anónimo disse…
Este artigo está interessante e pertinente. No entanto não podemos culpar a escola nem os docentes pela ileteracia dos nossos jovens. A grande maioria dos professores empenham-se no sucesso educativo dos alunos. No entanto, há vários factores que fragilizam todo o seu empenho. São eles a própria família que, num grande número de casos, não valoriza as aprendizagens académicas e muito menos incentiva as crianças e jovens para a leitura; os programas escolares que se encontram desactualizados, contêm imensos conteúdos, embora no curriculo nacional sejam valorizadas as competências que, ao dependerem da aplicação dos conteúdos corremos o risco de estarmos a leccionar baseados em contradições; temos também os manuais que, principalmente no 1.º ciclo, não apresentam qualidade e estão completamente deslocados no tempo (podem perguntar porque é que os professores os adoptam. Eu passo a perguntar se as nossas escolas têm verbas suficientes para que os professores possam tirar fotocópias, se têm documentos de pesquisa sufientes, se o Ministèrio da Educação tem um bom banco de itens ou se cada agrupamento tem uma equipa para produzir materiais). Penso que temos de ser realistas e deixar as utupias. É claro que o nosso sistema de ensino tm de ser alterado, as mentalidades também. No entanto torna-se necessário dar condições e fornecer informações actualizadas, através de formação ou outra para que todos saibam onde o sistema falha e onde devemos intervir. É muito fácil dizer que o ensino está mal, que os professores não trabalham, que os alunos não aprendem. Difícil é fornecer informações precisas sobre o que está a falhar. É também fácil, para quem é especialista em determinada área apontar erros e incriminar, esquecendo-se que na escola, principalmente no 1.º ciclo, um docente não lecciona somente uma área mas um grande leque de disciplinas, todas elas com imensos conteúdos que, se não forem dados, os professores são questionados pelos pais, pelos coordenadores e pela inspecção. A título de conclusão apenas posso acrecentar que é evidente que o nosso sistema de ensino está a precisar de uma grande mudança. Mas temos de ser realistas, objectivos e não agressivos.

Filipa Silva

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