Forum RBE: PTE e escolas digitais

No fórum RBE, com o lançamento do portal das escolas e com a fase de conteúdos do PTE a chegar às escolas, uma intervenção aguardada pelos mais ligados às tecnologias foi certamente a intervenção sobre o Plano Tecnológico da Educação por José Luís Ramos do Centro de Investigação em Educação e Psicologia da Universidade de Évora.
Num momento em que as escolas já estão a ser equipadas com computadores, novas redes de comunicação de sinal de banda larga, projectores de vídeo e quadros interactivos, e ao mesmo tempo em que as escolas secundárias estão em ampla renovação de instalações (embora aqui o processo se vá desenrolar até 2015) ficam a faltar duas áreas do PTE: a formação e os conteúdos.
Ao mesmo tempo que se inicia a fase de formação, será igualmente iniciada a fase de criação e disponibilização de conteúdos. E é aqui que as bibliotecas têm de intervir e serão fundamentais ao sucesso desse pilar do PTE.

Os eixos tecnológicos
O eixo da tecnologia, é basicamente uma questão de verbas e um planeamento externo. Essencialmente vem colmatar uma carência de equipamentos e condições de trabalho, mas ao mesmo tempo elimina muitas das justificações para a inércia. É bom ver que com as intervenções das últimas semanas nas escolas a desculpa já não pode ser "o computador é lento" mas sim outras mais minuciosas como as tomadas de electricidade. Muitas escolas já têm os seus equipamentos outras recebem-nos até Julho. É uma grande revolução, mas é uma revolução de fora para dentro.

O eixo da formação está a arrancar. Mais uma vez é algo de fora para dentro, neste caso uma intervenção ao nível dos recursos humanos. Considero importante mas não determinante como muitos ainda querem fazer crer. Não se pode apenas dizer "preciso de formação" como se no fim de 25 ou 50 horas estivessem certificados como professores digitais. A formação tem igualmente de ser feita de dentro para fora, em auto formação. Já é tempo de se deixar de dizer" isso já não é para mim". A revolução tecnológica está aí, não é um brinquedo e é preciso utilizar. É certo que muitos professores e funcionários necessitam de formação em elementos específicos de utilização, mas não há formação que consiga dar a volta a anos de desinteresse pelas novas tecnologias. E isso é uma questão de atitude, um problema individual com consequências no grupo e na sociedade. Salva-se o facto de que muitos professores não precisam de formação, apenas da certificação dos seus conhecimentos (que também vem aí, no próximo ano, pelo PTE).

Resta agora o eixo dos conteúdos, o principal pilar deste modelo. Tudo pode funcionar, se este eixo não funcionar a tecnologia não será ligada à pedagogia e assim não se poderá falar de um plano tecnológico da educação, mas apenas de um plano tecnológico geral (que também existe!).
Quando falamos em conteúdos, falamos em disponibilização de informação, de materiais, de portefólio do aluno, de realização de tarefas com recurso a plataformas digitais.

Sendo que este eixo está mesmo nos seus inícios, foram apresentadas as ideias principais:
  • Colocar uma plataforma digital em cada escola, um sistema integrado a nível nacional onde constará o portefólio dos trabalhos realizados pelos alunos ao longo do seu percurso escolar.
  • Criação de um repositório no Portal das Escolas (lançado na semana passada).
  • Concursos e patrocínios regulares à produção de recursos digitais por empresas.
  • Concursos anual de produção de recursos digitais por parcerias de escolas.
  • Patrocínios à produção de recursos digitais existentes (renovação tecnológica de sites educativos já em funcionamento).
  • Avaliação e certificação de conteúdos digitais.
  • Subsídios a escolas para aquisição de recursos educativos digitais certificados (500 a 5000 euros).
  • Apoio equiparado ao software livre e proprietário (aqui sempre uma falha deste projecto em não investir completamente em software livre mesmo que comercial!).
Os detalhes técnicos ainda não foram revelados mas, pelo que se pode assistir pelos slides da conferência no fórum RBE, podem começar a dar uma olhadela ao MERLOT... não, não é o vinho, mas sim um site de disponibilização de conteúdos educativos!
O modo como o portal digital da escola se vai integrar com os LMS existentes nas escolas (basicamente o Moodle) e quais as implicações nos sites actuais das escolas (muitos usam um CMS, usualmente o Joomla) e as consequências sobre as bases de dados bibliográficas e gestão dos leitores em bibliotecas foram tudo questões não abordadas. Ficamos assim à espera de mais informações, sendo certo que terão um grande impacto na forma de produzir conteúdos digitais.

E este eixo do PTE é uma revolução de dentro para fora que levará a uma transformação no modo de actuar e de pensar.
Estará a escola à altura deste desafio?

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