A necessidade dos recursos humanos nas BE


Teresa Calçada, Coordenadora da Rede de Bibliotecas Escolares

Transcrição livre e parcial:

Um dos aspectos importantes, verdadeiramente importantes na construção das bibliotecas, é o modo de ensinar a usá-las. Porque não chega fazê-las. Fazer é o primeiro passo!

[...] Um ponto importante é pensar, como é que quem está, as governa, quem está lá dentro, quem as usa todos os dias, as governa para ensinar a utilizá-las? Esse é o papel dos professores, particularmente o papel daqueles que são os professores coordenadores da biblioteca. A eles cumpre ensinar os próprios que as usam a usá-las bem.
[...] Os miúdos e os jovens usam-nas [as bibliotecas], usam-nas com gosto com alegria, precisam delas, vão lá, têm um livro que é preciso, um livro para estudar, um livro para ler, um livro para levar nas férias, para fazer os trabalhos de casa para encontrar respostas para algumas curiosidades, da sua vida do seu dia a dia, mas saber isso, aprender a utilizar isso com eficácia e com eficiência exige que, na retaguarda, esteja alguém que também aprendeu, que se profissionalizou nessa tarefa, e esses são as peças essenciais numa biblioteca: professores, professores responsáveis coordenadores da biblioteca e também os funcionários.

[...] Uma biblioteca está ali para fazer leitores. Mas uma biblioteca também pode se não for bem governada, se nós não formos atentos aos possíveis leitores que temos na frente, ser um instrumento para matar leitores. E nós não queremos matar leitores, queremos fazer leitores!

[...] A biblioteca tem que ter estes professores, estes funcionários, esta equipa que têm capacidade para estimular gostos, atenções, formas de trabalho e fazer a ligação disso aos seus interesses mas também a ligação disso à sala de aula.
Hoje a sala de aula não é suficiente para responder a todas as necessidades que a escola tem. A biblioteca é um mais, um ‘plus’, nessa relação que a escola precisa com a informação. E essa relação deve ser conseguida na biblioteca com a sala de aula [...]. Deve ser uma relação da biblioteca com os professores e naturalmente dos professores com a biblioteca.

Cada miúdo pequeno é um leitor diferente dos outros, [...] eles são muito diferentes, eles gostam e têm interesses e assim que nós saibamos levá-los a encontrar os seus interesses e assim quase que por osmose a encontrar nos livros nas revistas, nos documentos, nas imagens, nas páginas a encontrar aquilo que é o que eles gostam e a estimular esse gosto, a passar de um grau mais baixinho para um grau mais elevado, mais exigente de informação e de formação, porque todos nós hoje sabemos praticamente ler e escrever mas podemos ter graus muito baixos de literacia, graus de alfabetização, seja no suporte tradicional seja nas novas tecnologias.

O que a biblioteca deve fazer, é fazer para cima, é exigir que o nosso nível como professores, como alunos seja mais exigente e que nós não nos limitemos qualquer que seja a tecnologia, não interessa se é o livro, se são as tecnologias ditas novas, interessa é que ler hoje é ler de uma maneira complicada e que nós passemos de graus pequeninos de ler, ler simples, de ler imagens muito fáceis para outros níveis de leitura, leituras complicadas, leituras em mais que um ecrã, leituras ao mesmo tempo em vários suportes, e é isso que a biblioteca ensina a fazer. Porque ninguém nasce leitor, os leitores fazem-se.

E a biblioteca é, porventura o lugar mais fantástico para fazer e para ensinar a ser leitor, leitor de todos os géneros, leitor de todos os suportes, leitor de todas as matérias, leitor em qualquer lugar do mundo!