Plágios e fraudes: saber para combater

O Jornal Expresso apresenta (8 de Agosto 2009) um conjunto de artigos sobre a fraude na produção de trabalhos científicos nas faculdades. O texto é de Joana Pereira Bastos e ilustração de Cristina Sampaio (muito bom). Os artigos são vários e estão mais ao nível de aviso à navegação sobre a existência do problema do que efectivamente de análise do problema. Pena que fiquem por algumas generalidades (com excepção do artigo com entrevista a profissionais da ajuda para teses) e quase pareçam um apelo a mais recursos para as faculdades ao fazer acreditar que menos orientados por orientador resolveria a situação. Assim o problema é mais colocada a nível universitário e especialmente nos mestrados. Como se os mestres fossem virgens... esquecendo que foi assim que alguns deles conseguiram a licenciatura e outros ainda já assim obtiveram a entrada na universidade.

E que dizer da parte do texto onde se afirma que a Universidade do Minho terá adquirido um programa de 50 mil euros para detectar o plágio? Isto sem referirem qual o programa, se já está implementado (pelo que sei já tinham um em 2006), etc. É que se foi apenas para detectar plágios foram "roubados" (pois existem programas gratuitos e outros por meia dúzia de euros). Muito certamente será um sistema para integrar no seu repositório e aí o preço seria pelo conjunto (a Universidade do Minho utiliza o sistema de repositório do MIT mas existem outras alternativas gratuitas). E ainda se pode especular se não será um sistema avançado de detecção de plágios preparado para reconhecimento de conteúdo (e não apenas de termos) para o idioma português! Como são bons os artigos jornalísticos onde se pode dar azo à especulação e à reflexão!

Mas como estamos no verão os artigos passam a ser de férias, e por isso mesmo talvez até nem devessem ter sido agora publicados, com os próprios professores, responsáveis educativos e avaliadores mais afastados da leitura de jornais. o impacto de uma notícia fica sempre diluído. E que tal em Setembro, uma versão revista e com investigação mais a sério?

Aqui ficam os links para os artigos do Expresso.

E já agora, não são só as universidades a terem de se preocupar com o problema, ele existe e os alunos aprendem a trabalhar assim é no secundário!

Ver os artigos do ano passado no Público
Plágio com recurso à Internet é problema nas escolas portuguesas
Bárbara Wong - Público - 27-1-2008 - http://jornal.publico.clix.pt/main.asp?c=A&dt=20080127&id=12622087

"Na Wikipédia está tudo tão bem escrito que não vale a pena mudarmos nada"
Público - 27.01.2008, Andreia Sanches - http://jornal.publico.clix.pt/main.asp?c=A&dt=20080127&id=12622350

O plágio
«Plágio é a apropriação indevida da obra intelectual de outra pessoa, assumindo a autoria da mesma.
Outras formas de plágio:
  1. Pedir a alguém que faça o trabalho por si ou utilizar o trabalho de outrém como se fosse seu.
  2. Apresentar o mesmo trabalho em várias cadeiras.
  3. Descarregar ou comprar uma trabalho através da web.
Mesmo que feito de forma não intencional o plágio é uma ofensa académica grave»
In www.b-on.pt

O problema não são só os trabalhos ou as teses, é uma questão cultural. Até os artigos científicos em revistas de especialidade acabam por ser republicados na íntegra por outros autores: "uma análise de 7 milhões de textos da base de dados Medline resultou em quase 70 mil artigos considerados altamente semelhantes". Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=54026

Parecem números exagerados? Mesmo que fossem só meia dúzia de casos com artigos pirateados (cópia integral) já seria motivo para pensar o que anda a falhar no mundo da investigação científica: veja-se o caso do artigo (re)publicado este ano na brasileira "Revista Analytica"!

Os bibliotecários e a cultura
O problema do plágio reflecte-se na actuação das bibliotecas não só no apoio à fase de produção mas também no tratamento dos documentos finais.
Para os bibliotecários o assunto não é neutro: afinal andam a arquivar lixo, artigos duplicados, teses piratas e a fornecer referências a autoridades de forma errada.
A solução não pode ser apenas uma questão universitária ou escolar é uma questão cultural e nacional.
Na educação e com as novidades anunciadas sobre plataformas do PTE para as escolas e com a existência de um portefólio digital com todos os trabalhos realizados pelo aluno (que ficará online nas escolas), tem de existir um software para a detecção de plágios. É altura de atacar o problema e não o menorizar. Os programas existem, podem ser desenvolvidos e adaptados mas tem de existir uma versão oficial promovida dos ministérios da Educação e da Ciência para Portugal e é já!
Entretanto os professores vão confiando no Google para as pesquisas de frases dos seus(?) alunos.
Ou então concluir que "No pasa nada". "Errar é humano. Colocar a culpa em alguém, então, nem se fala". Anónimo