A internet em papel

Este conjunto de imagens que acompanham o artigo foi recentemente publicado pela Cartridge SAVE, uma empresa de tinteiros, alertando para a impossibilidade de tudo imprimir e de ser necessário um controlo de recursos.
Se é um tema em que muitos já pensaram, ver a questão em números é mais forte!
E claro que a questão da leitura em formato digital teria de aparecer no meio das questões.
Discutir a vantagem ou a preferência pelo livro sobre os meios digitais é um debate sem sentido no mundo actual. Pura e simplesmente não podemos continuar a imprimir informação. Os conteúdos caminham para a total digitalização porque de outra forma esgotamos os recursos naturais.
Aqui estamos a falar de recursos necessários para:

  • Imprimir uma cópia de toda a documentação produzida pelo ser humano
  • Imprimir exemplares em número adequado aos indivíduos que necessitam aceder a essas informações, seja em bibliotecas seja em consumo privado.
A sociedade no século XX evoluiu em diversas áreas, as pessoas foram alfabetizadas, as tecnologias ficaram mais complexas, a população cresceu. A consequência é termos de deixar de imprimir em papel. Falar em reciclagem de papel é apenas um disfarçar do problema.
É preciso notar que o Pergaminho foi abandonado por falta de matéria prima no momento em que a leitura individual passou a ser obrigação dos monges cristãos (para além das trocas comerciais com o Egipto terem ficado mais difíceis na altura). O papel foi a solução, primeiro a partir de tecidos velhos e depois a partir de pasta de celulose. Mas o fim da linha está aí.
A leitura em papel não demorará muito a ser considerado um luxo, depois um acto snob e mais tarde será certamente entendida como um crime ecológico.

A leitura e a pobreza caminham lado a lado e os recursos são finitos.
Felizmente a humanidade conseguiu evoluir tecnologicamente e começa a produzir os recursos digitais para manter a aposta na cultura e na educação.
Dizer que a experiência de ler em papel é muito mais agradável que ler num computador pesado e barulhento é dizer pouco! E porque não dizer que um dia o papel já foi escuro, pesado e pouco maleável? E que um dia os computadores nem podiam sair da sala especialmente criada para os alojar? E que o calendário tecnológico faz os dias passarem mais depressa?

A única coisa aborrecida disto tudo é pensar que o pergaminho é mais resistente que o papel e o papel mais durável que um CD-Rom. Assim vai ser necessário mais tecnologia, mas também mais normas de gestão dos documentos e mais pessoas para gerir esses documentos: esse é o preço a pagar por uma humanidade culta.
E não sejam mais snobs ainda dizendo que 90% do produzido online é lixo: esse é o preço a pagar pela liberdade cultural que se consegue pela liberdade de expressão e liberdade de criação.