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The Big Picture: bibliotecas, florestas e árvores

O mês internacional das Bibliotecas escolares tem este ano como lema a expressão " The big Picture". No dia (26 de Outubro) em que se concentram os festejos nacionais será importante deixar aqui reflexões sobre o modo como este lema deve orientar a acção das bibliotecas no futuro. Independentemente da forma como for traduzida ("Panorama", "Uma visão panorâmica" ou "Uma visão global") a expressão " The big Picture" não qualificará aqui o que as bibliotecas são mas sim define o que elas devem fazer/promover!
A biblioteca deve assumir-se como "Uma visão de conjunto". É sua missão no panorama de aprendizagens e formação escolar dos cidadãos de um país.

Ver a floresta e não apenas as árvores
Para conseguirmos ter sucesso, para podermos melhorar é necessário conseguir ter um tempo para recuar e olhar para tudo o que está à nossa volta de modo a conseguir ter uma imagem geral. A partir daí podemos estar abertos a novas ideias, a novos factos, antecipar o futuro e adaptar a acção.
É isto que as bibliotecas têm necessariamente de produzir: pessoas capazes de pensar!
E isso só é possível com pessoas treinada, preparadas para ler criticamente os media, pesquisar e avaliar informação, recorrer a diversas fontes

Vai ser possível?
Não a curto prazo. A consciência não se forma instantaneamente, não existem receitas pré-cozinhadas. É uma refeição gourmet, é preciso ter tempo para que o sabor seja apreciado. A escola a 12 anos, a licenciatura de "bolonha", são tudo etapas de uma formação. Mas o ser humano não fica formado apenas por ter uma formação académica em quantidade. Nem mesmo por ser uma formação de qualidade. Isso são apenas ingredientes, elementos de um composto, mas a forma como esses elementos se unem e interagem é algo pessoal.

A educação está compartimentada em segmentos, em especialidades. As bibliotecas escolares são um recurso dos utilizadores mas também um meio de intervenção e de interligação de iniciativas.
Aos professores bibliotecários, em conjunto com os responsáveis educativos, cabe a missão de olhar em redor e tentar perceber os caminhos a percorrer.
O risco de o não fazer seria concentrar todo o nosso esforço num caminho e não ter tempo e capacidade para perceber que esse caminho até pode ser um beco sem saída. E quanto mais tempo prosseguirmos nesse caminho mais difícil será conseguir ter forças para recuar e tentar outros caminhos.
Já chega de árvores: é tempo da floresta
«Os técnicos e burocratas podem ser desculpados por darem muita importância aos números: quantos edifícios foram renovados, quantos directores foram contratados, quantas reclamações foram resolvidas, etc.
Mas dos líderes espera-se que criem e promovam uma visão palpável enquanto inspiram os outros a realizar esse sonho». [Barras, Jonetta Rose (2009). The big picture on education]
Pessoas capazes de pensar
Em psicologia popular a expressão "Big picture" surge mesmo como um dos pares de caracterização de modos de trabalhar e pensar: uns indivíduos são minuciosos ou "details-oriented type" e os outros são generalistas ou "big picture type"
Esta designação tem por base a caracterização dos estilos de pensar definidos pelo modelo de dominância cerebral estabelecido por Ned Herrmann que assenta numa divisão do cérebro em quadrantes cerebrais (a teoria não é nova mas para os curiosos: http://en.wikipedia.org/wiki/Herrmann_Brain_Dominance_Instrument )

Porque uma floresta faz-se de árvores, mas não é uma conjunto de árvores, precisamos de pessoas que tenham essa percepção a todos os níveis da estrutura educativa.

O que aqui deixo não é uma grito por líderes, é um alerta a todos.
Estarão os professores bibliotecários à altura deste desafio? Vão/vamos ser capazes de fazer a sua/nossa parte?

Ficam aqui alguns textos para fazer pensar e fomentar a necessidade de uma visão panorâmica/alargada:

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