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S"tor", quer ser meu amigo no Facebook?

«No ensino básico e secundário, há cada vez mais professores a utilizar as redes sociais e outras ferramentas tecnológicas para interagir com os alunos. Isto apesar de, na opinião de Luís Pereira, investigador no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, as escolas portuguesas viverem ainda num ambiente de "resistência" em relação a estas ferramentas.
"Há uma grande desconfiança, sobretudo por causa de receios relacionados com situações de cyberbullying", diz o investigador, que tem participado em trabalhos sobre estes temas.
É através de iniciativas isoladas de professores, como aconteceu com João Sá e outros docentes da Escola Avelar Brotero, que as redes sociais começam a ser utilizadas com objectivos pedagógicos.

A Rede de Bibliotecas Escolares também tem promovido a utilização destas ferramentas através de acções de formação a professores. Foi assim que Ilda Velez, professora bibliotecária na Escola Secundária D. Inês de Castro, em Alcobaça, começou a dinamizar páginas no Hi5, Twitter e Facebook, mesmo sendo "uma das professoras mais antigas da escola".
A docente utiliza as redes para fazer "sugestões de leitura" e "divulgação de actividades", mas também para "conversas informais com os alunos". "O ser "amigo no Face" aproxima-nos dos jovens - deixamos de ser só o "prof" ou o "s"tor"... E, numa análise um pouco impressiva, parece-me que os professores mais presentes nas redes sociais são também os mais amigos e procurados pelos alunos no espaço real da escola", conta.

A experiência tem "corrido bem": nos comentários na página do Facebook da biblioteca, Ilda Velez nota um "esforço de contenção" e de correcção linguística por parte dos alunos e um maior "interesse" no acompanhamento das actividades. "Até hoje, só tive que ocultar três comentários impróprios e todos de ex-alunos da escola", afirma.

"Acho legítima a opção de aceitar ou não aceitar pedidos de amizades de alunos. Eu aceito-os e não tenho problemas com isso, mas reconheço que há uma certa diluição do espaço profissional. A escola torna-se mais horizontal e o meu papel enquanto professor sai muito da sala de aula", diz João Sá.

Ilda Velez admite mesmo que os professores devem estar atentos aos "desafios e riscos que as redes colocam às relações entre professores e alunos". Um desafio que considera "fundamental é o da privacidade". "Um professor tem que saber gerir muito bem tudo o que escreve, comenta e "gosta". E não se pode esquecer nunca que não deixa de ser professor pelo facto de estar online", diz.»

(excertos do artigo de André Jegundo no Jornal Público - 04 de Setembro de 2011)
Pode ler a transcrição do artigo aqui

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