Bibliotecários da CIA analisam redes socias

Foi agora revelado que a CIA tem um departamento encarregue de monitorizar o que se publica no Twitter e no Facebook. As redes sociais possuem um manancial de informações abertas a quem as quiser ler e revelam o estado de espírito de pessoas e comunidades. Um país pode utilizar esses dados para ter uma perceção mais aprimorada da realidade do próprio mundo. Mas as informações aí disponíveis são inúmeras, não estão organizadas nem validadas.

E quem é que poderia fazer um trabalho de análise e cruzamento da informação? Bibliotecários!
Estas são as revelações numa entrevista à agência AP do diretor do Centro Open Source da CIA, Doug Naquin.
No centro da CIA, uma equipa, conhecida carinhosamente como "bibliotecários vingativos" (vengeful librarians), analisa mensagens do Twitter mas também do Facebook, jornais, canais de notícias de TV, estações de rádio locais, salas de chat na Internet - qualquer coisa produzida fora dos EUA e em que qualquer um possa aceder ou contribuir abertamente.

Do árabe ao mandarim, a partir de um tweet revoltado a um blogue refletido, os analistas reúnem informações, muitas vezes em língua nativa, e fazem a referência cruzada com o jornal local ou com uma conversa telefónica intercetada clandestinamente. Daí constroem uma imagem procurada pelos mais altos níveis na Casa Branca, fornecendo uma visualização em tempo real, por exemplo, no clima de uma região após o ataque SEAL da Marinha que matou Osama bin Laden ou talvez uma previsão de que no Médio Oriente uma nação pareça pronta para uma revolta.

A instalação da CIA foi criada em resposta a uma recomendação da Comissão 9 / 11, tendo como prioridade concentrar-se no combate ao terrorismo e contra-proliferação. As várias centenas dos seus analistas - o número real é classificado - acompanham uma ampla gama, desde o acesso à Internet na china ao ambiente nas ruas no Paquistão.






Enquanto a maioria estão baseados na Virgínia, os analistas estão também espalhados por todas as embaixadas dos EUA de forma a estarem mais próximos do pulsar dos seus alvos.
Os analistas de maior sucesso têm um perfil semelhante à heroína do romance policial "The Girl With the Dragon Tattoo" (Os Homens que Odeiam as Mulheres, o primeiro livro da série Millennium de Stieg Larsson). Estes bibliotecários são definidos como um irreverente e peculiar hacker de computador que "sabe como encontrar coisas que outras pessoas nem sabem que existe." Aqueles com um grau de mestrado em biblioteconomia e vários idiomas, especialmente aqueles que cresceram falando outra língua, tornam-se mais facilmente poderosos técnicos destas fontes abertas.
De uma ou outra forma, as análises do centro chegam ao relatório diário fornecido ao presidente Barack Obama: é a literacia da informação ao serviço da contra-inteligência.

Claro que com esta entrevista do seu diretor o trabalho destes bibliotecários deve ter aumentado pois as reações contra eventuais invasões de privacidade não deixaram de se sentir! Assim aos que falarem português e passem por aqui... votos de um bom trabalho. E fica aqui o meu serviço público: quando puderem façam férias em Portugal que nós por cá... enfim!

Quer ser bibliotecário na CIA? Existem vagas!

Ler mais em: cbsnews - CIA tracks global pulse on Twitter, Facebook

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