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Na nova sala de aulas todos ensinam, todos aprendem: a prática de uma biblioteca escolar

Salas do Futuro (ou "Ambientes Educativos Inovadores" na designação do Ministério da Educação) fazem mais um tema de artigo na imprensa mas mostram também o que de bom já se faz nas escolas nesse sentido.
Na nova sala de aulas todos ensinam, todos aprendem As escolas do futuro já estão aí.
O professor perde protagonismo, as carteiras não estão alinhadas, os alunos vão juntos à procura do conhecimento. Tablets e smartphones entram nas salas de aulas e aprender não se faz apenas dentro de quatro paredes 


Artigo do Expresso - Edição de 8 de Abril de 2017

Será relativamente consensual que há muito que a educação deixou de ter apenas a ver com os chamados três ‘r’— reading, writing, aryhtmetics (em português, ler, escrever e contar). A trilogia deu lugar à teoria dos quatro ‘c’ da aprendizagem — comunicação, colaboração, criatividade e pensamento crítico integram agora a cartilha.

O Jornal Expresso desta semana tem um artigo que aborda as novas práticas de ensino e onde destacamos uma boa prática com o trabalho de uma biblioteca escolar.

Na biblioteca da Escola Básica e Secundária Gama Barros, no Cacém, os alunos juntam-se em duplas para criarem um ebook sobre fadas e elfos. Resumir, interpretar, pesquisar imagens na internet e gravar uma leitura no iPad fazem parte deste desafio.


Fica aqui parte do artigo do Expresso como convite à leitura do (extenso) artigo integral que apresenta ainda outros projetos em diferentes disciplinas:

O DESAFIO DE CRIAR UM EBOOK

Na biblioteca da Escola Básica e Secundária Gama Barros, no Cacém, estão mais de vinte miúdos do 5º ano mergulhados no mundo das fadas e dos elfos. Na verdade, parecem estar mesmo no fundo do mar, pelas imagens de peixes e algas coloridas que decoram as paredes. Divididos em pares, com iPads na mão, têm a desafiante tarefa de criar um ebook a partir de livros desse universo de fantasia. O desafio desta aula de Português é escreverem no iPad, pelas suas próprias palavras, resumos da história que cada livro conta, atribuindo-lhe um título, pesquisando imagens na internet para a ilustrar e respondendo a questões de uma ficha.

Cada aluno conversa com o parceiro do lado, em voz baixa, ajudando-se entre si, empenhados em chegar a bom porto. Os dois professores respondem às dúvidas de alguns. No final, cada dupla grava uma leitura em áudio do texto que acabam de escrever, com a ajuda da professora bibliotecária Filomena Lima, organizadora e mentora desta atividade. “Gana” e “Varinha” revelaram-se palavras difíceis para Rita, de 11 anos. “Nunca tínhamos ouvido a nossa voz gravada. Queremos repetir a leitura para a melhorar”, diz Yara, de 10. Na mesa ao lado, Ângelo, de 11 anos, está ansioso por ler a sua parte. “Este exercício puxa mais por nós, pela nossa autonomia. E é mais divertido”, explica.

“Nestes grupos de trabalho, há sempre um mais ágil do que o outro, e isso puxa por ambos”, defende Filomena Lima. Há cinco anos que este projeto é desenvolvido por ela na biblioteca da escola. Foi com a verba ganha no projeto Ideias com Mérito que Filomena conseguiu adquirir os iPads. Começou por dinamizar uma atividade com o guloso nome “Tablets de Chocolate”, em que dava a trabalhar textos ligados à temática do chocolate, como “Chocolate à Chuva”, de Alice Vieira, ou “Como Água para Chocolate”, de Laura Esquível, e os alunos tinham de pesquisar os temas através dos iPads. O projeto visa a promoção da literacia digital, a leitura e a motivação no contexto escolar. Mas não é fundamentalista. A professora acredita que é preciso que os alunos mantenham “o contacto com os livros em suporte papel”, ao mesmo tempo que vão desenvolvendo essa literacia digital.

“Isto dá um entusiasmo extra à turma, com resultados bastante positivos. Mas as escolas não têm qualquer capacidade financeira para adquirir estes equipamentos tecnológicos. Devia depender de uma política nacional que ainda não existe.” O que existe são projetos a que cada escola está livre de se candidatar, dependendo das ideias e motivação dos diretores e professores, lembra Filomena Lima.
“Querer ensinar de forma diferente, com recurso às novas tecnologias, dá um trabalhão, exige mais de nós. O que me move a mim e a muitos professores que o fazem é um espírito de missão, o gosto por ensinar, de fazer melhor, de ver que com este projeto conseguimos motivar e obter resultados.”

O que é também claro para ela é que a sala de aulas tem de ser reinventada. “Estamos a ir ao encontro das capacidades e autonomia de cada um, dando-lhes para a mão os aparelhos que alguns já usam para jogar. Mas aqui usam-nos para aprender. Os miúdos estão diferentes. Não dá para usar métodos de há 10 ou 20 anos.” À saída, alguns comentam entre si que o exercício foi giro. “O mais complicado foi interpretar o texto e fazer o resumo.” Mas a dois tudo se torna mais fácil.

Autores dos textos do artigo do Jornal Expresso: Bernardo Mendonça e Isabel Leiria

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