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Preservar o passado digital


Passeio de fim de semana a um site: www.digitalpreservation.gov

Digital Preservation é um site da Biblioteca do Congresso dos EUA que pretende alertar e consciencializar sobre a necessidade da preservação dos documentos digitais, quer das memórias individuais quer colectivas.
Com uma navegação fácil e um aspecto gráfico sóbrio, apresenta um conjunto de iniciativas em que a biblioteca do congresso está envolvida, mas em que todos deveriam participar, apoiando os esforços públicos e desenvolvendo iniciativas individuais para que o futuro não nos desconheça.

Sabia que:
- Os materiais digitais são considerados mais frágeis do que os físicos?
É que podem ser facilmente destruídos e correm o risco de serem guardados em formatos que se tornem obsoletos (impedindo o seu acesso no futuro). Aqui fica patente a necessidade de formatos padronizados e abertos na indústria informática.
- A informação num site web dura em média entre 44 e 100 dias?
Se hoje tanto falamos das técnicas de social bookmarking como um exemplo do sucesso da web2.0, o que acontecerá a todo esse trabalho colectivo daqui a um ano ou dois? Não será a web cada vez mais uma cadeia de "comida-informação rápida"?
- 44% de todos os sites disponíveis na Internet em 1998, tinham desaparecido um ano depois?
Será difícil agora fazer um estudo sobre a influência desses sites na sociedade do seu tempo!

Estas são algumas das razões pelas quais a Biblioteca do congresso está a arquivar páginas web de conteúdo político.


Algumas páginas a visitar neste site:
A preservação da memória digital não é apenas um arquivar de informações para estudos, é igualmente a nossa história que está em jogo. Hoje pouco conseguimos saber sobre diferentes versões de textos clássicos (os livros que compõem a bíblia são um exemplo) e do sentido que tomaram as traduções. Hoje somos diferentes pois esses textos influenciaram organizações sociais. Mas os factos, a história do dia a dia também tem de ser preservada.
A capacidade para reescrever a história ficou claramente apresentada por George Orwell no livro "1984", em que a profissão de bibliotecário, jornalista e publicitário se fundiam numa só com a reconstrução dos textos do passado e a promoção da verdade conveniente no momento.

Ora é isto que as bibliotecas não devem deixar acontecer, é isto que deve ser uma biblioteca digital. Não é apenas disponibilizar documentos, uns livros de literatura para acesso mais fácil/barato. É proteger e validar um passado, passado esse que começa no presente. É preciso arquivar, classificar, organizar, etiquetar digitalmente e... validar o documento. Porque as pessoas têm interesses que podem ser contrários à história.
E volta a velha questão do rato na assembleia de ratos em que se decidiu colocar um guizo no gato... Quem o vai fazer? Vamos deixar aos estados esta função?
A situação política actual em Portugal mostra como é necessário e problemático a preservação da memória digital.
A situação é bem conhecida neste país à beira mar plantado, mas vamos olhar para ela de um ponto de vista diferente. Uma página web com a biografia de uma pessoa foi alterada/revista. Os dados alterados poderiam influenciar opiniões sobre comportamentos e atitudes da referida pessoa (no caso, uma eventual usurpação de títulos académicos e "embelezamento" de currículo).
A maioria das pessoas ouviu dizer que o "A" passou a "B" e que o "C" deixou de estar lá e no seu lugar apareceu o "D"... mas ou nunca tinha visitado essa página ou se o fez nem se lembra do que lá estava escrito. E ficam as dúvidas. Será que foi mesmo mudada?
Há quem tenha a versão anterior em papel, outros fizeram um "printscreen", tudo coisas que um investigador (ou um jornal nos tempos que correm) verá como provas pouco fiáveis. Confirme os desenvolvimentos
aqui e aqui.
O ideal era entrar numa máquina do tempo e ir ver essa página uns tempos antes!
Afinal até pode...ou quase: basta ir ao site www.archive.org e colocar o endereço que se pretende visitar no tempo... são só 85 mil milhões de páginas arquivadas. Depois de colocado o endereço, surgem as datas de alteração e é só visitar (ao navegar num site aguarde alguns segundos para que os links das páginas sejam carregados com as versões arquivadas e não com a actual)

E agora compare:
A actual versão: www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Primeiro_Ministro/Biografia
entretanto o site teve uma alteração de sistema informático e os links agora são outros!
A versão anterior:
http://web.archive.org/web/20060212000311 (13/2/2006)

A memória digital permitiu-lhe ter acesso a dados factuais e elaborar opiniões baseadas em factos... e até mesmo visualizar mais versões da mesma página em http://web.archive.org/web/*/http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Primeiro_Ministro ou continuar a navegar pelas biografias dos membros do governo em http://web.archive.org/web/*/http://www.portugal.gov.pt/

Como serão contadas estas "estórias" daqui a 10 anos?! A história sem documentos físicos será sempre uma história diferente!

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