Bibliotecas digitais comerciais

Jean-Nöel Jeanneney, director da Biblioteca Nacional da França, esteve no Colóquio de Bibliotecas Digitais realizado no Rio de Janeiro e mostrou-se preocupado com a influência de empresas como o Google na determinação do futuro das bibliotecas digitais em vez da valorização do papel dos estados.
"É claro que é bom ter acesso à informação, mas é preciso que seu controle não fique só com uma empresa, que seu financiamento não se dê só pela publicidade e que essa grande quantidade de informação seja ordenada. O Estado sempre interveio nos meios de comunicação, criando barreiras aos produtos estrangeiros ou cotas. Na internet é impossível intervir dessa forma, mas pode-se agir afirmativamente, criando ou estimulando a criação de bibliotecas virtuais e a publicação de mais e mais títulos nessa nova mídia."
Refreando o entusiasmo do autor (que ao mesmo tempo apresentou o seu novo livro intitulado "Quando Google desafia a Europa") penso que será de analisar melhor o papel dos estados no controlo da informação pois não se têm limitado à sua preservação. Os estados, ao longo dos tempos, têm procurado controlar o acesso a esta informação, e se agora reagem fazem-no obrigados pelos acontecimentos que rodeiam as autoestradas da informação.
Se foi a invenção da imprensa que trouxe o saber para fora dos Mosteiros, é a Internet que pode trazer o saber para casa das pessoas. Os estados estão a reagir... menos na formação de utilizadores da internet, nas suas literacias e capacidades de escolha, mas mais no apoio aos interesses de grupos de influência ligados aos direitos de autor.
A intervenção dos estados tem de se orientar para a correcção de distorções criadas pelos interesses dos serviços privados na digitalização de bibliotecas, e aí sim, a iniciativa da Alemanha e França na construção de uma biblioteca digital Europeia é de aplaudir. Não por quererem competir com o Google, mas sim porque o Google não se interessou pelo património Francês e Alemão, valorizando o Inglês que é mais rentável.
Falta saber quando é que o estado português (e CPLP por arrasto) perceberá que é preciso valorizar a cultura portuguesa e se saberá manter afastado dos interesses Franco-germânicos... por enquanto escondidos cobre a capa da cultura europeia!